sábado, 12 de abril de 2008

Temporada de doenças no Ceará

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Quadra invernosa deste ano traz o aumento das doenças e atinge, sobretudo, a população cearense mais pobre.

No Ceará, as águas de fevereiro, março, abril e maio sempre trazem alegrias para o sertanejo e tornam o solo menos árido. Mas, historicamente, agravam o já caótico quadro de saúde do cearense, sobretudo da população em piores condições socioeconômicas e sem saneamento básico.

Este ano, mais do que nunca, a quadra invernosa intensificou o registro de doenças endêmicas, contribuiu para o quadro de epidemia da dengue hemorrágica e até registrou o retorno da melioidose, cuja letalidade chega a 85,7%.

Ainda nesta enxurrada, vieram a superlotação de postos de saúde e hospitais e o sofrimento de crianças e idosos, os mais vulneráveis às diarréias e às infecções respiratórias. Em Fortaleza, especialmente, as unidades de saúde públicas estão com a capacidade de atendimento extrapolada. A valer a tese de que o pico das doenças na estação chuvosa é registrado em abril e maio, a população da cidade ainda poderá passar por mais aflição.

Recrudescer.

“Está todo mundo trabalhando com muito esforço”, diz o infectologista e diretor de Hospital São José, Anastácio Queiroz. “A situação que estamos vivendo não é surpresa”. Cita a dengue como a doença que mais recrudesceu neste período. E por um motivo bem simples: com as chuvas cresce o número de criatórios da larva do Aedes aegypti.

Água parada e limpa em pneus, vasilhames de plástico, vidros e até mesmo em cascas de ovos jogadas em um quintal qualquer oferece risco para o mosquito depositar seus ovos, daí uma larva e, posteriormente, um mosquito adulto. E, óbvio, quanto mais focos mais probabilidade de pessoas acometidas pela doença.

Mas não são apenas os pequenos depósitos de água limpa e parada que preocupam o ex-secretário de Saúde do Estado, Anastácio Queiroz. Isso acontece até mesmo com as caixas de água, onde o mosquito pode entrar por uma fenda. Ou seja, o reservatório nem precisa está destampado, basta está mal vedado.

A erradicação é muito difícil, crê, mas o controle nem tanto. Porém, precisa haver um esforço conjunto das autoridades e da população. “Os moradores devem colaborar com as medidas do poder público”.

Não só no Ceará, mas nos demais Estados da região nordeste se repete, anualmente, o aumento das doenças no período das chuvas.

“O problema é ainda maior porque as pessoas apenas esperam que o governo faça alguma coisa”, opina o infectologista Ivo Castelo Branco, também coordenador do Núcleo de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Para ele, o controle de doenças endêmicas ou hídricas fica ainda mais difícil “porque muitos de nós não entendemos que não devemos ter em nossa casa baratas, ratos e focos de mosquito”. Assim, Ivo Castelo Branco elege a conscientização da população, quanto às medidas preventivas, como item número um para reduzir registro das doenças na quadra invernosa.

No caso da leptospirose, de incidência mais elevada em função das chuvas, o médico lembra que as estatísticas confirmam a existência de sete a oito ratos para cada habitante nas cidades grandes, como Fortaleza. Embora ressalte a gravidade provocada pelo aumento da dengue, o médico lembra que a quadra invernosa intensifica o registro de doenças como hapatite A, diarréia, verminose, gastroenterites e salmonela, tendo como causadores águas e alimentos contaminados.

FIQUE POR DENTRO

Infecções respiratórias trazem sofrimento.

A quadra invernosa aumenta a superlotação em hospitais da Capital e do Interior do Estado. As Infecções respiratórias (IRA), que acontecem o ano todo, recrudescem com a mudança da temperatura, o que traz complicações e sofrimento, sobretudo, para os alérgicos.

Gripe, resfriado, amigdalite, faringite, laringite, traqueíte, sinusite e bronquite são infecções respiratórias que, freqüentemente acometem crianças, adultos e idosos e se não tratados de forma adequada, podem se prolongar por muito tempo e se tornar casos crônicos ou causar complicações mais sérias. Dentre os principais sintomas que os pacientes apresentam estão tosse, febre e dor.

Cerca de 90% das ocorrências de IRA são causadas por vírus e apenas o restante por bactérias. Causas distintas exigem tratamentos específicos e não há vacina para esse mal.
DN

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sábado, 12 de abril de 2008 às 9:28:00 PM |  
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Quadra invernosa deste ano traz o aumento das doenças e atinge, sobretudo, a população cearense mais pobre.

No Ceará, as águas de fevereiro, março, abril e maio sempre trazem alegrias para o sertanejo e tornam o solo menos árido. Mas, historicamente, agravam o já caótico quadro de saúde do cearense, sobretudo da população em piores condições socioeconômicas e sem saneamento básico.

Este ano, mais do que nunca, a quadra invernosa intensificou o registro de doenças endêmicas, contribuiu para o quadro de epidemia da dengue hemorrágica e até registrou o retorno da melioidose, cuja letalidade chega a 85,7%.

Ainda nesta enxurrada, vieram a superlotação de postos de saúde e hospitais e o sofrimento de crianças e idosos, os mais vulneráveis às diarréias e às infecções respiratórias. Em Fortaleza, especialmente, as unidades de saúde públicas estão com a capacidade de atendimento extrapolada. A valer a tese de que o pico das doenças na estação chuvosa é registrado em abril e maio, a população da cidade ainda poderá passar por mais aflição.

Recrudescer.

“Está todo mundo trabalhando com muito esforço”, diz o infectologista e diretor de Hospital São José, Anastácio Queiroz. “A situação que estamos vivendo não é surpresa”. Cita a dengue como a doença que mais recrudesceu neste período. E por um motivo bem simples: com as chuvas cresce o número de criatórios da larva do Aedes aegypti.

Água parada e limpa em pneus, vasilhames de plástico, vidros e até mesmo em cascas de ovos jogadas em um quintal qualquer oferece risco para o mosquito depositar seus ovos, daí uma larva e, posteriormente, um mosquito adulto. E, óbvio, quanto mais focos mais probabilidade de pessoas acometidas pela doença.

Mas não são apenas os pequenos depósitos de água limpa e parada que preocupam o ex-secretário de Saúde do Estado, Anastácio Queiroz. Isso acontece até mesmo com as caixas de água, onde o mosquito pode entrar por uma fenda. Ou seja, o reservatório nem precisa está destampado, basta está mal vedado.

A erradicação é muito difícil, crê, mas o controle nem tanto. Porém, precisa haver um esforço conjunto das autoridades e da população. “Os moradores devem colaborar com as medidas do poder público”.

Não só no Ceará, mas nos demais Estados da região nordeste se repete, anualmente, o aumento das doenças no período das chuvas.

“O problema é ainda maior porque as pessoas apenas esperam que o governo faça alguma coisa”, opina o infectologista Ivo Castelo Branco, também coordenador do Núcleo de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Para ele, o controle de doenças endêmicas ou hídricas fica ainda mais difícil “porque muitos de nós não entendemos que não devemos ter em nossa casa baratas, ratos e focos de mosquito”. Assim, Ivo Castelo Branco elege a conscientização da população, quanto às medidas preventivas, como item número um para reduzir registro das doenças na quadra invernosa.

No caso da leptospirose, de incidência mais elevada em função das chuvas, o médico lembra que as estatísticas confirmam a existência de sete a oito ratos para cada habitante nas cidades grandes, como Fortaleza. Embora ressalte a gravidade provocada pelo aumento da dengue, o médico lembra que a quadra invernosa intensifica o registro de doenças como hapatite A, diarréia, verminose, gastroenterites e salmonela, tendo como causadores águas e alimentos contaminados.

FIQUE POR DENTRO

Infecções respiratórias trazem sofrimento.

A quadra invernosa aumenta a superlotação em hospitais da Capital e do Interior do Estado. As Infecções respiratórias (IRA), que acontecem o ano todo, recrudescem com a mudança da temperatura, o que traz complicações e sofrimento, sobretudo, para os alérgicos.

Gripe, resfriado, amigdalite, faringite, laringite, traqueíte, sinusite e bronquite são infecções respiratórias que, freqüentemente acometem crianças, adultos e idosos e se não tratados de forma adequada, podem se prolongar por muito tempo e se tornar casos crônicos ou causar complicações mais sérias. Dentre os principais sintomas que os pacientes apresentam estão tosse, febre e dor.

Cerca de 90% das ocorrências de IRA são causadas por vírus e apenas o restante por bactérias. Causas distintas exigem tratamentos específicos e não há vacina para esse mal.
DN
Postado por Fred Guilhon Marcadores:

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