Segundo o dicionário ´Aurélio´, restauração é um trabalho de recuperação feito em construção ou obra de arte. Nas palavras de quem a executa, significa mais do que isso. É paixão, suor, paciência e ousadia.Assim é o que faz e sente o profissional que volta a estar em alta no mercado automobilístico, o de restaurador de carros. Com lixas, chapas, tinta e massa poliéster, ele consegue “dar vida” a automóveis que há tempos deixaram de ser fabricados, transformando-os em obras de arte.
Mais pra frente, na adolescência, conseguiu ser piloto de teste da Fiat. Depois, saiu para ser consultor técnico onde, com apenas 20 anos, tornou-se chefe de oficina. “A minha equipe era de senhores italianos de 50 a 60 anos. Imagina um garoto tomar conta disso. Aprendi muito com a situação".
Paulistano, resolveu ir a Fortaleza pois fora convidado para assumir a chefia de oficina da CDA, depois a Saga e em seguida, da Troller. Em 2002, resolveu montar a empresa que administra atualmente. “Quando criei, tinha que ter um diferencial. Pensei no que sabia fazer: restaurar carros antigos”, diz.
O primeiro veículo que “deu vida” foi um Opala 76. De lá para cá, já foram mais de 20 carros, entre DKW, Jaguar, Simca, Corcel, Variant e outros.
Para começar uma restauração, ele avisa que o primeiro processo é ouvir o cliente. O segundo, se constitui na pesquisa, isto é, estudar como era o carro originalmente. Depois a desmontagem, a funilaria, a pintura, a montagem e o acabamento.
Ele avalia que nesse processo há dois caminhos: a restauração clássica, igual como se o veículo saísse de fábrica e a outra, chamada de “hot”, uma mistura de automóvel antigo, mas com um interior e mecânica modernas.
O tempo de restauro
depende do estado do veículo. No entanto, ele calcula que, em média, seja de 3 meses a um ano e meio. No quesito preço, Júnior prefere não revelar - o valor oscila de carro para carro.
A parte mais difícil de restaurar, ele salienta, é quando o carro pertence ao segmento original, já que os acabamentos internos, “do tipo padrão-fábrica, são difíceis de encontrar”, revela. Júnior declara que uma das maiores satisfações é ver a reação do cliente quando o veículo está finalizado. “Não tem preço. É um sinal que o trabalho valeu a pena”, sorri.
Entre as variações da funilaria no decorrer dos anos , antes, de espessura grossa e hoje, fina, Júnior reafirma que a mudança tornou o seu trabalho mais fácil. “Para o condutor, numa colisão, ele se mantém protegido. Porém, em termos de material, a durabilidade, com certeza, é bem menor”, ressalta.
O perfil dos clientes é feito de pessoas que veêm o carro antigo como um membro da família. “Existe um sentimento verdadeiro pelo objeto. Isso acontece porque geralmente ele ganhou do pai, do avô, ou conseguiu resgatar o primeiro carro que dirigiu. São vários fatores reunidos”, finaliza.
Depoimento
Cuidado nos detalhes de cada automóvel
´Eu conheci o Júnior no estacionamento da Normatel, no encontro de carros antigos. Fiquei sabendo que ele trabalhava com restauração e fui a sua oficina pessoalmente verificar. No momento, ele estava restaurando um DKW e achei interessante o fato de refazer a coluna do pára-brisa - um serviço delicado. No final, ficou ótimo! Foi aí então que resolvi trazer o meu Diplomata 89, para refazê-lo no estilo ´hot´, mantendo algumas coisas originais e misturando-as com algumas peças modernas´. Leandro Nascimento, designer.



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