quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Arte da restauração

Segundo o dicionário ´Aurélio´, restauração é um trabalho de recuperação feito em construção ou obra de arte. Nas palavras de quem a executa, significa mais do que isso. É paixão, suor, paciência e ousadia.


Assim é o que faz e sente o profissional que volta a estar em alta no mercado automobilístico, o de restaurador de carros. Com lixas, chapas, tinta e massa poliéster, ele consegue “dar vida” a automóveis que há tempos deixaram de ser fabricados, transformando-os em obras de arte.

Antônio Júnior, proprietário da Z-4 Auto Center em Fortaleza, é um exemplo prático disto. Aprendeu a arte sozinho, sem curso, na convivência e manejo com outros profissionais. Sua paixão por carros começou quando ainda era garoto. A família era contra, pois o queria como doutor. “Não tinha jeito, eu matava aula para ir para as oficinas”, lembra.

Mais pra frente, na adolescência, conseguiu ser piloto de teste da Fiat. Depois, saiu para ser consultor técnico onde, com apenas 20 anos, tornou-se chefe de oficina. “A minha equipe era de senhores italianos de 50 a 60 anos. Imagina um garoto tomar conta disso. Aprendi muito com a situação".

Paulistano, resolveu ir a Fortaleza pois fora convidado para assumir a chefia de oficina da CDA, depois a Saga e em seguida, da Troller. Em 2002, resolveu montar a empresa que administra atualmente. “Quando criei, tinha que ter um diferencial. Pensei no que sabia fazer: restaurar carros antigos”, diz.

O primeiro veículo que “deu vida” foi um Opala 76. De lá para cá, já foram mais de 20 carros, entre DKW, Jaguar, Simca, Corcel, Variant e outros.

Para começar uma restauração, ele avisa que o primeiro processo é ouvir o cliente. O segundo, se constitui na pesquisa, isto é, estudar como era o carro originalmente. Depois a desmontagem, a funilaria, a pintura, a montagem e o acabamento.

Ele avalia que nesse processo há dois caminhos: a restauração clássica, igual como se o veículo saísse de fábrica e a outra, chamada de “hot”, uma mistura de automóvel antigo, mas com um interior e mecânica modernas.

O tempo de restauro depende do estado do veículo. No entanto, ele calcula que, em média, seja de 3 meses a um ano e meio. No quesito preço, Júnior prefere não revelar - o valor oscila de carro para carro.

A parte mais difícil de restaurar, ele salienta, é quando o carro pertence ao segmento original, já que os acabamentos internos, “do tipo padrão-fábrica, são difíceis de encontrar”, revela. Júnior declara que uma das maiores satisfações é ver a reação do cliente quando o veículo está finalizado. “Não tem preço. É um sinal que o trabalho valeu a pena”, sorri.

Entre as variações da funilaria no decorrer dos anos , antes, de espessura grossa e hoje, fina, Júnior reafirma que a mudança tornou o seu trabalho mais fácil. “Para o condutor, numa colisão, ele se mantém protegido. Porém, em termos de material, a durabilidade, com certeza, é bem menor”, ressalta.

O perfil dos clientes é feito de pessoas que veêm o carro antigo como um membro da família. “Existe um sentimento verdadeiro pelo objeto. Isso acontece porque geralmente ele ganhou do pai, do avô, ou conseguiu resgatar o primeiro carro que dirigiu. São vários fatores reunidos”, finaliza.

Depoimento

Cuidado nos detalhes de cada automóvel

´Eu conheci o Júnior no estacionamento da Normatel, no encontro de carros antigos. Fiquei sabendo que ele trabalhava com restauração e fui a sua oficina pessoalmente verificar. No momento, ele estava restaurando um DKW e achei interessante o fato de refazer a coluna do pára-brisa - um serviço delicado. No final, ficou ótimo! Foi aí então que resolvi trazer o meu Diplomata 89, para refazê-lo no estilo ´hot´, mantendo algumas coisas originais e misturando-as com algumas peças modernas´. Leandro Nascimento, designer.

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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007 às 7:33:00 AM |  
Segundo o dicionário ´Aurélio´, restauração é um trabalho de recuperação feito em construção ou obra de arte. Nas palavras de quem a executa, significa mais do que isso. É paixão, suor, paciência e ousadia.


Assim é o que faz e sente o profissional que volta a estar em alta no mercado automobilístico, o de restaurador de carros. Com lixas, chapas, tinta e massa poliéster, ele consegue “dar vida” a automóveis que há tempos deixaram de ser fabricados, transformando-os em obras de arte.

Antônio Júnior, proprietário da Z-4 Auto Center em Fortaleza, é um exemplo prático disto. Aprendeu a arte sozinho, sem curso, na convivência e manejo com outros profissionais. Sua paixão por carros começou quando ainda era garoto. A família era contra, pois o queria como doutor. “Não tinha jeito, eu matava aula para ir para as oficinas”, lembra.

Mais pra frente, na adolescência, conseguiu ser piloto de teste da Fiat. Depois, saiu para ser consultor técnico onde, com apenas 20 anos, tornou-se chefe de oficina. “A minha equipe era de senhores italianos de 50 a 60 anos. Imagina um garoto tomar conta disso. Aprendi muito com a situação".

Paulistano, resolveu ir a Fortaleza pois fora convidado para assumir a chefia de oficina da CDA, depois a Saga e em seguida, da Troller. Em 2002, resolveu montar a empresa que administra atualmente. “Quando criei, tinha que ter um diferencial. Pensei no que sabia fazer: restaurar carros antigos”, diz.

O primeiro veículo que “deu vida” foi um Opala 76. De lá para cá, já foram mais de 20 carros, entre DKW, Jaguar, Simca, Corcel, Variant e outros.

Para começar uma restauração, ele avisa que o primeiro processo é ouvir o cliente. O segundo, se constitui na pesquisa, isto é, estudar como era o carro originalmente. Depois a desmontagem, a funilaria, a pintura, a montagem e o acabamento.

Ele avalia que nesse processo há dois caminhos: a restauração clássica, igual como se o veículo saísse de fábrica e a outra, chamada de “hot”, uma mistura de automóvel antigo, mas com um interior e mecânica modernas.

O tempo de restauro depende do estado do veículo. No entanto, ele calcula que, em média, seja de 3 meses a um ano e meio. No quesito preço, Júnior prefere não revelar - o valor oscila de carro para carro.

A parte mais difícil de restaurar, ele salienta, é quando o carro pertence ao segmento original, já que os acabamentos internos, “do tipo padrão-fábrica, são difíceis de encontrar”, revela. Júnior declara que uma das maiores satisfações é ver a reação do cliente quando o veículo está finalizado. “Não tem preço. É um sinal que o trabalho valeu a pena”, sorri.

Entre as variações da funilaria no decorrer dos anos , antes, de espessura grossa e hoje, fina, Júnior reafirma que a mudança tornou o seu trabalho mais fácil. “Para o condutor, numa colisão, ele se mantém protegido. Porém, em termos de material, a durabilidade, com certeza, é bem menor”, ressalta.

O perfil dos clientes é feito de pessoas que veêm o carro antigo como um membro da família. “Existe um sentimento verdadeiro pelo objeto. Isso acontece porque geralmente ele ganhou do pai, do avô, ou conseguiu resgatar o primeiro carro que dirigiu. São vários fatores reunidos”, finaliza.

Depoimento

Cuidado nos detalhes de cada automóvel

´Eu conheci o Júnior no estacionamento da Normatel, no encontro de carros antigos. Fiquei sabendo que ele trabalhava com restauração e fui a sua oficina pessoalmente verificar. No momento, ele estava restaurando um DKW e achei interessante o fato de refazer a coluna do pára-brisa - um serviço delicado. No final, ficou ótimo! Foi aí então que resolvi trazer o meu Diplomata 89, para refazê-lo no estilo ´hot´, mantendo algumas coisas originais e misturando-as com algumas peças modernas´. Leandro Nascimento, designer.

Postado por Igor Guilhon Marcadores: , ,

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