Só seu corpinho frágil ficou ali.
Mas não ficou sozinho, não ficará nunca mais sozinho.
Junto ao menino, agora anjo, junto às lágrimas dos policiais e ao pranto de bicho para sempre ferido de seus pais e irmã, há muito mais.
Há o medo, o nosso terrível medo vestido de blindagens e grades.
Há a certeza feroz da impotência diante dos monstro sem sanguinário carnaval que nunca tem quarta-feira de cinzas.
Há a vergonha de viver em um país de covardes também integrantes do eterno carnaval brasileiro, onde usam a fantasia e a máscara imunda do poder, qualquer poder, para defender demônios, assassinos de nossas crianças.
As crianças de verdade, como João Hélio, ficam no chão, acompanhadas dos mais tristes sentimentos.
Os monstros vão para os braços dos covardese, em aliança infeliz, cantam loas à impunidade.
Covardes, são todos covardes.
E não adiantam passeatazinhas com pombinhas brancas.
Estas só servem para apagarmais rapidamenteas marcas de sangue inocente no chão e desanuviar consciências rasas, apressadas, já vendo Momo.
São outro desfile de covardesem carnaval impotente e mentirosode quem não se importacom nenhum João com nenhuma Maria.

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