segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Quando o Brasil chorou (Arnaldo Jabor)

Meu avô chegou em casa chorando. Eu era menino e senti o mundo mudar em volta. Parecia que a noite caíra de repente na tarde de 16 de julho de 1950, quando o Brasil perdeu.

No pós guerra, já vivíamos um clima de Brasil grande, maior estádio do mundo, Getulio praticamente eleito.

Quatro a zero contra o México, seis a um na Espanha, sete a um na Suécia. Contra o Uruguai bastava o empate. Éramos campeões, claro...

O Brasil fez primeiro gol. Friaca. Aí era a certeza, mas não sabíamos ainda que existia a tragédia. De repente, a máquina do mundo começou a trabalhar.

Schiafino empata. A bola rola. Depois Gighia faz dois a um. Para todos aquilo não podia ter acontecido. Não era real.

Meu avô chorava sem soluços, só as lágrimas. Ele me disse que o impressionante no Maracanã era o silêncio. Ninguém falava. Só se ouvia o ruído dos pés, descendo as rampas, o silêncio dos sapatos...

Tem gente que acha que o Brasil seria diferente se tivesse ganho a Copa de 1950. Se foi ruim ou bom não sei, mas naquele dia o Brasil conheceu o destino.

Começamos entender que a grandeza de um país não é abstrata. Apenas uma taça...

O Brasil chorou ali, mas cresceu... Por dentro.

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007 às 8:46:00 AM |  
Meu avô chegou em casa chorando. Eu era menino e senti o mundo mudar em volta. Parecia que a noite caíra de repente na tarde de 16 de julho de 1950, quando o Brasil perdeu.

No pós guerra, já vivíamos um clima de Brasil grande, maior estádio do mundo, Getulio praticamente eleito.

Quatro a zero contra o México, seis a um na Espanha, sete a um na Suécia. Contra o Uruguai bastava o empate. Éramos campeões, claro...

O Brasil fez primeiro gol. Friaca. Aí era a certeza, mas não sabíamos ainda que existia a tragédia. De repente, a máquina do mundo começou a trabalhar.

Schiafino empata. A bola rola. Depois Gighia faz dois a um. Para todos aquilo não podia ter acontecido. Não era real.

Meu avô chorava sem soluços, só as lágrimas. Ele me disse que o impressionante no Maracanã era o silêncio. Ninguém falava. Só se ouvia o ruído dos pés, descendo as rampas, o silêncio dos sapatos...

Tem gente que acha que o Brasil seria diferente se tivesse ganho a Copa de 1950. Se foi ruim ou bom não sei, mas naquele dia o Brasil conheceu o destino.

Começamos entender que a grandeza de um país não é abstrata. Apenas uma taça...

O Brasil chorou ali, mas cresceu... Por dentro.
Postado por Fred Guilhon Marcadores:

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