terça-feira, 20 de março de 2007

Caligrafia. A arte das letras


Tudo começa com uma pena, tinta e papel. A concentração e a técnica são qualidades imprescindíveis. Para quem faz a caligrafia artística a prática ultrapassa os modismos e pressa das novas tecnologias.

A caligrafia é uma escrita manual, em que se destacam beleza, uniformidade e elegância. O termo vem do grego kallos (beleza) e graphos (escrita). No entanto, o maior significado dessa união são palavras como: amor, paciência e dedicação.

As letras, desenhadas com capricho que as faziam flertar com a arte, foram muito utilizadas, entre os séculos XVI e XIX, pelos calígrafos profissionais da Europa.

Quase arte

No Oriente, a caligrafia tomou mesmo o rumo da arte, dadas as características pictóricas dos ideogramas. Mas vale um parêntese: enquanto no Ocidente as letras rebuscadas ficaram praticamente restritas a trabalhos pontuais (diplomas, títulos e correspondência diplomática), no Japão e na China ainda hoje há concursos realizados entre jovens que incentivam a prática da arte de escrever. Na verdade, para os orientais, as letras expressam o sentimento e a alma de quem as desenha.

No Brasil, embora a maioria das pessoas ainda associe caligrafia aos exercícios entediantes do período escolar e questione a aplicação da chamada ´letra bonita´ na era de domínio dos computadores com suas centenas de fontes diferentes, ainda há quem veja nesse trabalho uma fonte de renda e de prazer.

Edna Holanda, 62, é uma dessas heroínas da resistência. É calígrafa há 10 anos e conta que começou na profissão depois de ter se aposentado. Para fugir do ócio, ela deu à letra bonita (que ´herdou´ de sua avó e mãe) uma aplicação prática e transformou a aptidão em trabalho. ´Sempre gostei de fazer tudo com as mãos: pintar, escrever... É como se estivesse fazendo arte. Assim, consigo esquecer o resto do mundo´, diz.

Autodidata, Edna passou seis meses treinando por conta própria. ´Nunca fiz cursos específicos, mas recebi a ajuda de uma freira do carmelo. Ela deu dicas valiosas´, conta.

Únicos

Para quem pretende se aventurar no mundo dessas letras, Edna avisa que trabalhar na realização de convites, documentos, cartões, é uma prática que requer muito cuidado. ´Quase não podemos errar. Borrar significa prejuízo´, explica.

Também apreciadora de uma bela caligrafia, Ana Maria Braga de Amaral, 58, há quatro anos se especializou no assunto. Sem encontrar curso em Fortaleza, praticou durante um ano, em aulas por correspondência. ´Fiz tudo à distância. Mandava meus exercícios prontos e eles me retornavam com a correção. Foi assim que aprendi teorias e técnicas da escrita´, declara.

Entre as dificuldades da profissão, Ana Maria reforça que o grande problema é a falta de produtos específicos. ´Para compramos o material necessário, precisamos encomendar, pois as tintas e a pena só são vendidas em São Paulo´. E completa: ´É uma profissão feita de amor e paciência. É preciso relaxar, se concentrar. O cuidado começa a partir do momento que se molha a pena na tinta. A caligrafia dá um toque único às peças´. No mundo onde tudo é muito igual, a expressão faz a diferença.
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Mais informações:

Ana Maria Braga do Amaral


Fones: (85) 3242.0550 / 9991.9600.

Edna Holanda, Fones: (85) 3244.0365 e 9178.0789

Um comentário:

Anônimo disse...

Ana Maria Braga - gostei da matéria que inclui meu nome. Ser caligrafa precisa antes de tudo gostar, uma vez que precisamos muito de atenção e cuidado para com os convites alheios. Para mim é uma terapia.

terça-feira, 20 de março de 2007 às 6:29:00 AM |  

Tudo começa com uma pena, tinta e papel. A concentração e a técnica são qualidades imprescindíveis. Para quem faz a caligrafia artística a prática ultrapassa os modismos e pressa das novas tecnologias.

A caligrafia é uma escrita manual, em que se destacam beleza, uniformidade e elegância. O termo vem do grego kallos (beleza) e graphos (escrita). No entanto, o maior significado dessa união são palavras como: amor, paciência e dedicação.

As letras, desenhadas com capricho que as faziam flertar com a arte, foram muito utilizadas, entre os séculos XVI e XIX, pelos calígrafos profissionais da Europa.

Quase arte

No Oriente, a caligrafia tomou mesmo o rumo da arte, dadas as características pictóricas dos ideogramas. Mas vale um parêntese: enquanto no Ocidente as letras rebuscadas ficaram praticamente restritas a trabalhos pontuais (diplomas, títulos e correspondência diplomática), no Japão e na China ainda hoje há concursos realizados entre jovens que incentivam a prática da arte de escrever. Na verdade, para os orientais, as letras expressam o sentimento e a alma de quem as desenha.

No Brasil, embora a maioria das pessoas ainda associe caligrafia aos exercícios entediantes do período escolar e questione a aplicação da chamada ´letra bonita´ na era de domínio dos computadores com suas centenas de fontes diferentes, ainda há quem veja nesse trabalho uma fonte de renda e de prazer.

Edna Holanda, 62, é uma dessas heroínas da resistência. É calígrafa há 10 anos e conta que começou na profissão depois de ter se aposentado. Para fugir do ócio, ela deu à letra bonita (que ´herdou´ de sua avó e mãe) uma aplicação prática e transformou a aptidão em trabalho. ´Sempre gostei de fazer tudo com as mãos: pintar, escrever... É como se estivesse fazendo arte. Assim, consigo esquecer o resto do mundo´, diz.

Autodidata, Edna passou seis meses treinando por conta própria. ´Nunca fiz cursos específicos, mas recebi a ajuda de uma freira do carmelo. Ela deu dicas valiosas´, conta.

Únicos

Para quem pretende se aventurar no mundo dessas letras, Edna avisa que trabalhar na realização de convites, documentos, cartões, é uma prática que requer muito cuidado. ´Quase não podemos errar. Borrar significa prejuízo´, explica.

Também apreciadora de uma bela caligrafia, Ana Maria Braga de Amaral, 58, há quatro anos se especializou no assunto. Sem encontrar curso em Fortaleza, praticou durante um ano, em aulas por correspondência. ´Fiz tudo à distância. Mandava meus exercícios prontos e eles me retornavam com a correção. Foi assim que aprendi teorias e técnicas da escrita´, declara.

Entre as dificuldades da profissão, Ana Maria reforça que o grande problema é a falta de produtos específicos. ´Para compramos o material necessário, precisamos encomendar, pois as tintas e a pena só são vendidas em São Paulo´. E completa: ´É uma profissão feita de amor e paciência. É preciso relaxar, se concentrar. O cuidado começa a partir do momento que se molha a pena na tinta. A caligrafia dá um toque único às peças´. No mundo onde tudo é muito igual, a expressão faz a diferença.
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Mais informações:

Ana Maria Braga do Amaral


Fones: (85) 3242.0550 / 9991.9600.

Edna Holanda, Fones: (85) 3244.0365 e 9178.0789
Postado por Fred Guilhon Marcadores: , ,

1 comentários:

Anônimo disse...

Ana Maria Braga - gostei da matéria que inclui meu nome. Ser caligrafa precisa antes de tudo gostar, uma vez que precisamos muito de atenção e cuidado para com os convites alheios. Para mim é uma terapia.

4 de março de 2008 21:37