terça-feira, 20 de março de 2007

Metal com memória aumentará segurança de veículos em colisões laterais


Quando se trata da segurança dos automóveis, a parte frontal dos carros evoluiu muito nos últimos anos: pára-choques mais flexíveis e resistentes, motor e câmbio numa disposição que não os atira contra os ocupantes do veículo, air-bags, cintos de segurança mais firmes e mais rápidos, enfim, dirigir um carro mais moderno é muito mais seguro do que dirigir um carro de 20 anos atrás.

Barras de proteção lateral

Toda essa tecnologia, porém, parece não surtir efeito numa situação muito simples e muito comum: nos casos de batidas laterais. Os air-bags laterais são feitos para proteger apenas a cabeça, e pouco ou quase nada fazem pelo restante do corpo.

As barras de proteção lateral ajudam, mas não podem ser reforçadas demais, senão o efeito pode ser contrário: ao receber o impacto, o carro deve sofrer uma deformação para assimilar o choque, senão o veículo será arremessado com muito maior intensidade e os passageiros serão movimentados de tal forma no interior do veículo que os ferimentos atingirão uma proporção muito maior.
Travamento das portas

Agora, engenheiros do Instituto Fraunhofer, Alemanha, em colaboração com as empresas Siemens VDO e Faurecia, encontraram uma solução que pode parecer um pouco estranha à primeira vista, mas cujos testes estão demonstrando ser altamente eficiente.

Como as portas são o elo fraco na estrutura lateral do carro, já que possuem poucos pontos de fixação na carroceria, os engenheiros alemães criaram um sistema que eles batizaram de "pré-crash", ou pré-acidente: algumas frações de segundo antes do acidente, uma série de parafusos ao longo de toda borda da porta fixam-se automaticamente no monobloco, tornando a porta uma parte rigidamente integrada à carroceria. Ela continua se deformando para absorver parte do choque, mas não "entra" carro adentro.

Um sistema composto por sensores, um radar e uma câmera são responsáveis pela previsão do acidente. Quando esse sistema detecta uma colisão iminente, ele dispara o alarme que ativa os parafusos. A detecção e o disparo do alarme é feita em 200 milisegundos. Os parafusos recebem o sinal de ativação e fixam-se na carroceria em apenas 20 milisegundos.

Metal com memória

O segredo do disparador automático de parafusos é uma liga metálica de última geração, chamada "Shape Memory Alloy" (SMA), ou liga metálica com memória morfológica. Ou seja, esta liga metálica "lembra-se" do seu formato e, quando sofre uma deformação, retorna ao seu formato original.

A chave do sistema anti-colisão é um cabo feito com esse metal com memória. Em situação normal, o cabo retém uma mola comprimida debaixo dos parafusos. Na iminência de um acidente, os sensores disparam uma carga elétrica no cabo de metal com memória, que instantaneamente se distende e libera os parafusos que fixam a porta ao chassi.

A grande vantagem do sistema baseado no metal com memória de formato é que, ao contrário dos air-bags, ele é reutilizável. Se a colisão prevista pelos sensores não chegar a acontecer, o cabo retorna ao seu formato original e os parafusos simplesmente deslizam de volta para sua posição de prontidão.

Os engenheiros estão agora aprimorando os diversos componentes do sistema, para que eles possam ser incorporados em um automóvel de linha sem grandes exigências técnicas. O capacitor que libera a energia que aciona o cabo, por exemplo, era do tamanho de um aspirador de pó no início da pesquisa. Hoje não é maior do que uma lanterna de mão. Os testes com veículos de série começarão em 2008.

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Quando se trata da segurança dos automóveis, a parte frontal dos carros evoluiu muito nos últimos anos: pára-choques mais flexíveis e resistentes, motor e câmbio numa disposição que não os atira contra os ocupantes do veículo, air-bags, cintos de segurança mais firmes e mais rápidos, enfim, dirigir um carro mais moderno é muito mais seguro do que dirigir um carro de 20 anos atrás.

Barras de proteção lateral

Toda essa tecnologia, porém, parece não surtir efeito numa situação muito simples e muito comum: nos casos de batidas laterais. Os air-bags laterais são feitos para proteger apenas a cabeça, e pouco ou quase nada fazem pelo restante do corpo.

As barras de proteção lateral ajudam, mas não podem ser reforçadas demais, senão o efeito pode ser contrário: ao receber o impacto, o carro deve sofrer uma deformação para assimilar o choque, senão o veículo será arremessado com muito maior intensidade e os passageiros serão movimentados de tal forma no interior do veículo que os ferimentos atingirão uma proporção muito maior.
Travamento das portas

Agora, engenheiros do Instituto Fraunhofer, Alemanha, em colaboração com as empresas Siemens VDO e Faurecia, encontraram uma solução que pode parecer um pouco estranha à primeira vista, mas cujos testes estão demonstrando ser altamente eficiente.

Como as portas são o elo fraco na estrutura lateral do carro, já que possuem poucos pontos de fixação na carroceria, os engenheiros alemães criaram um sistema que eles batizaram de "pré-crash", ou pré-acidente: algumas frações de segundo antes do acidente, uma série de parafusos ao longo de toda borda da porta fixam-se automaticamente no monobloco, tornando a porta uma parte rigidamente integrada à carroceria. Ela continua se deformando para absorver parte do choque, mas não "entra" carro adentro.

Um sistema composto por sensores, um radar e uma câmera são responsáveis pela previsão do acidente. Quando esse sistema detecta uma colisão iminente, ele dispara o alarme que ativa os parafusos. A detecção e o disparo do alarme é feita em 200 milisegundos. Os parafusos recebem o sinal de ativação e fixam-se na carroceria em apenas 20 milisegundos.

Metal com memória

O segredo do disparador automático de parafusos é uma liga metálica de última geração, chamada "Shape Memory Alloy" (SMA), ou liga metálica com memória morfológica. Ou seja, esta liga metálica "lembra-se" do seu formato e, quando sofre uma deformação, retorna ao seu formato original.

A chave do sistema anti-colisão é um cabo feito com esse metal com memória. Em situação normal, o cabo retém uma mola comprimida debaixo dos parafusos. Na iminência de um acidente, os sensores disparam uma carga elétrica no cabo de metal com memória, que instantaneamente se distende e libera os parafusos que fixam a porta ao chassi.

A grande vantagem do sistema baseado no metal com memória de formato é que, ao contrário dos air-bags, ele é reutilizável. Se a colisão prevista pelos sensores não chegar a acontecer, o cabo retorna ao seu formato original e os parafusos simplesmente deslizam de volta para sua posição de prontidão.

Os engenheiros estão agora aprimorando os diversos componentes do sistema, para que eles possam ser incorporados em um automóvel de linha sem grandes exigências técnicas. O capacitor que libera a energia que aciona o cabo, por exemplo, era do tamanho de um aspirador de pó no início da pesquisa. Hoje não é maior do que uma lanterna de mão. Os testes com veículos de série começarão em 2008.
Postado por Fred Guilhon Marcadores: , ,

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