sábado, 24 de novembro de 2007

Anos Dourados - Quixadá é destino para viagem ao passado

Os exemplares, que integram a coleção do Museu do Automóvel do Ceará, chegam em Quixadá, hoje, por volta das 10 horas. Carlos Guerra é um dos colecionadores
O sócio da Afaq Mauriti Lucena, que também faz parte do Clube do Automóvel, idealizou a atividade e, hoje, relembra os anos 50, 60 e 70
Relógio secular da Igreja das Irmãs Missionárias volta a funcionar
Desfile de carros antigos e baile épico resgatam o glamour das antigas gerações na ´Terra dos Monólitos´

Quixadá. Aqueles velhos e bons tempos, românticos e inesquecíveis dos anos 50, 60 e 70, quando ainda se sabia viver, estão de volta. Retornam numa charmosa e interessante programação promovida pela Associação dos Filhos e Amigos de Quixadá (Afaq). A entidade reserva atrações especiais para esta cidade sertaneja que há muito perdeu sua tranqüilidade para a inquietação urbana que outrora se registrava apenas nas metrópoles. Passeios e exposição de raridades automotivas, reinauguração do relógio da Capela e do clube, o Balneário do Cedro, com uma festa de época, marcam o resgate daqueles incríveis anos dourados e da contracultura.

Anunciado o início das comemorações, o primeiro passeio de carros antigos corta as estradas do passado com destino à “Terra dos Monólitos”. Mais de uma dezena de autênticas relíquias sobre quatro rodas partem de Fortaleza no início desta manhã. Os exemplares raros, que integram a coleção do Museu do Automóvel do Ceará, chegam ao destino por volta das 10 horas. Meia-hora depois estarão expostos ao público na Praça do Chalé. No fim da tarde, visitam o Museu Histórico Jacinto de Sousa e desfilam pelas principais avenidas de Quixadá. Em seguida, os carros recebem bênção do bispo emérito, dom Adélio Tomasin, na Praça José de Barros.

Enquanto os motores de Calhambeques, Cadilacs e outras raridades do mundo automobilístico param, o relógio da capela do Colégio Sagrado Coração de Jesus volta a funcionar. A última badalada que ecoava entre os imensos monólitos, anunciando a hora certa na cidade, foi ouvida faz duas décadas. Com a restauração do velho marcador do tempo, importado da Itália no início do século passado, montado na primeira igrejinha erguida no curral de pedras, hoje principal palco de encontros da cidade, a Afaq resgata um importante marco histórico e os saudosos tic-tacs voltam a lembrar os namorados que buscam aconchego por ali, ao cair da noite.

Retorno

É esperar a lua e as estrelas brilharem um pouco mais e anunciarem, neste sábado inesquecível, o retorno dos bailes sociais no Balneário Cedro Clube com a “Festa dos Anos Dourados”, recebendo convidados em trajes da época. Com isso, o mais antigo e charmoso recanto social de Quixadá anuncia seu retorno.

Na manhã deste domingo, mais uma maratona de eventos. Enquanto os colecionadores de antigüidades automobilísticas visitam o Santuário de Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, a exposição especial prossegue na quadra esportiva do Balneário até às 10 horas. Logo depois, os carros antigos desfilam novamente pelas ruas e avenidas da cidade. Seguem até a alameda do Açude do Cedro, rememorando aqueles saudosos tempos em que gentilezas, respeito, admiração e ao majestoso dote imperial, presente de D. Pedro II ao povo do lugar, eram virtudes para qualquer família, filho e amigo de Quixadá.

VELHOS E INESQUECÍVEIS

Preservação e fascinação familiar

Quixadá. A principal atração deste fim de semana, neste município, com certeza será o passeio e a mostra dos 15 modelos automotivos importados e nacionais fabricados nas décadas de 50 a 70. “Um Cadilac 56 e Chevrolets 57 e 58, em impecável estado de conservação, darão um clima especial ao baile dos Anos Dourados no Balneário Cedro Clube”, comenta o advogado quixadaense Mauriti de Lucena Cavalcante, um dos 37 sócios-proprietários do Clube dos Automóveis Antigos do Ceará.

O diretor social do Veteran Car Club do Ceará, médico Arnóbio Tomaz, compara o momento à Belle Époque, considerada uma era de ouro da beleza e da elegância na França. Ele garante que os carros antigos deslumbram crianças e adultos. Tem sido assim desde que começaram a circular no mundo. O colecionador ainda lembra que houve uma época em que as famílias eram identificadas por seus carros. No Ceará, a placa Nº 01 era do empreendedor José Alcy Siqueira; enquanto que a de Nº 02 era do senador Carlos Jereissati.

Resgate

Foi justamente pensando nessa relação, familiar, que a presidenta da Afaq, Lúcia Helena Granjeiro, e dezenas de associados convenceram os colecionadores a participarem do resgate de alguns dos símbolos tradicionais de Quixadá, assegurando o fortalecimento da memória histórica no correr do tempo. E para demonstrar que ele não pára, mas é capaz de eternizar cada ano, dia, hora, minuto e segundo, fiel ao seu ofício, ali está, no alto da capela das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, o único relógio de igreja que passa a funcionar na região.

A velha máquina foi adquirida em 1899, na cidade de Nápoles, na Itália. Foi o vigário da Comarca de Quixadá, Lúcio Ferreira, quem trouxe a peça da Europa, inaugurada no ano seguinte, aos 17 de junho. Até meados dos anos 80, as bucólicas badaladas eram ouvidas por todos os cantos da cidade. A iniciativa da restauração do relógio secular partiu do historiador João Eudes Costa e da coordenadora do Museu Histórico de Quixadá, Maria Prima Freire, membros da Afaq.

Eles também se dedicam a valorização do relicário municipal que recebe o nome do fotógrafo, pintor e escultor Jacinto de Sousa. Ali estão a mostra mais de 150 peças religiosas, mobiliárias, ferramentas, vestuários, fotografias e documentos de valor inestimável. O interessante acervo conta um pouco da história da imortal Rachel de Queiroz, do mais famoso repentista do País, Cego Aderaldo, e até um dos primeiros projetores cinematográficos a funcionarem no Ceará.

E como a história sobrevive do que um dia foi presente, o museu, o clube, a cidade, abrem suas portas aos visitantes, expondo velhos e inesquecíveis hábitos familiares.

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Os exemplares, que integram a coleção do Museu do Automóvel do Ceará, chegam em Quixadá, hoje, por volta das 10 horas. Carlos Guerra é um dos colecionadores
O sócio da Afaq Mauriti Lucena, que também faz parte do Clube do Automóvel, idealizou a atividade e, hoje, relembra os anos 50, 60 e 70
Relógio secular da Igreja das Irmãs Missionárias volta a funcionar
Desfile de carros antigos e baile épico resgatam o glamour das antigas gerações na ´Terra dos Monólitos´

Quixadá. Aqueles velhos e bons tempos, românticos e inesquecíveis dos anos 50, 60 e 70, quando ainda se sabia viver, estão de volta. Retornam numa charmosa e interessante programação promovida pela Associação dos Filhos e Amigos de Quixadá (Afaq). A entidade reserva atrações especiais para esta cidade sertaneja que há muito perdeu sua tranqüilidade para a inquietação urbana que outrora se registrava apenas nas metrópoles. Passeios e exposição de raridades automotivas, reinauguração do relógio da Capela e do clube, o Balneário do Cedro, com uma festa de época, marcam o resgate daqueles incríveis anos dourados e da contracultura.

Anunciado o início das comemorações, o primeiro passeio de carros antigos corta as estradas do passado com destino à “Terra dos Monólitos”. Mais de uma dezena de autênticas relíquias sobre quatro rodas partem de Fortaleza no início desta manhã. Os exemplares raros, que integram a coleção do Museu do Automóvel do Ceará, chegam ao destino por volta das 10 horas. Meia-hora depois estarão expostos ao público na Praça do Chalé. No fim da tarde, visitam o Museu Histórico Jacinto de Sousa e desfilam pelas principais avenidas de Quixadá. Em seguida, os carros recebem bênção do bispo emérito, dom Adélio Tomasin, na Praça José de Barros.

Enquanto os motores de Calhambeques, Cadilacs e outras raridades do mundo automobilístico param, o relógio da capela do Colégio Sagrado Coração de Jesus volta a funcionar. A última badalada que ecoava entre os imensos monólitos, anunciando a hora certa na cidade, foi ouvida faz duas décadas. Com a restauração do velho marcador do tempo, importado da Itália no início do século passado, montado na primeira igrejinha erguida no curral de pedras, hoje principal palco de encontros da cidade, a Afaq resgata um importante marco histórico e os saudosos tic-tacs voltam a lembrar os namorados que buscam aconchego por ali, ao cair da noite.

Retorno

É esperar a lua e as estrelas brilharem um pouco mais e anunciarem, neste sábado inesquecível, o retorno dos bailes sociais no Balneário Cedro Clube com a “Festa dos Anos Dourados”, recebendo convidados em trajes da época. Com isso, o mais antigo e charmoso recanto social de Quixadá anuncia seu retorno.

Na manhã deste domingo, mais uma maratona de eventos. Enquanto os colecionadores de antigüidades automobilísticas visitam o Santuário de Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, a exposição especial prossegue na quadra esportiva do Balneário até às 10 horas. Logo depois, os carros antigos desfilam novamente pelas ruas e avenidas da cidade. Seguem até a alameda do Açude do Cedro, rememorando aqueles saudosos tempos em que gentilezas, respeito, admiração e ao majestoso dote imperial, presente de D. Pedro II ao povo do lugar, eram virtudes para qualquer família, filho e amigo de Quixadá.

VELHOS E INESQUECÍVEIS

Preservação e fascinação familiar

Quixadá. A principal atração deste fim de semana, neste município, com certeza será o passeio e a mostra dos 15 modelos automotivos importados e nacionais fabricados nas décadas de 50 a 70. “Um Cadilac 56 e Chevrolets 57 e 58, em impecável estado de conservação, darão um clima especial ao baile dos Anos Dourados no Balneário Cedro Clube”, comenta o advogado quixadaense Mauriti de Lucena Cavalcante, um dos 37 sócios-proprietários do Clube dos Automóveis Antigos do Ceará.

O diretor social do Veteran Car Club do Ceará, médico Arnóbio Tomaz, compara o momento à Belle Époque, considerada uma era de ouro da beleza e da elegância na França. Ele garante que os carros antigos deslumbram crianças e adultos. Tem sido assim desde que começaram a circular no mundo. O colecionador ainda lembra que houve uma época em que as famílias eram identificadas por seus carros. No Ceará, a placa Nº 01 era do empreendedor José Alcy Siqueira; enquanto que a de Nº 02 era do senador Carlos Jereissati.

Resgate

Foi justamente pensando nessa relação, familiar, que a presidenta da Afaq, Lúcia Helena Granjeiro, e dezenas de associados convenceram os colecionadores a participarem do resgate de alguns dos símbolos tradicionais de Quixadá, assegurando o fortalecimento da memória histórica no correr do tempo. E para demonstrar que ele não pára, mas é capaz de eternizar cada ano, dia, hora, minuto e segundo, fiel ao seu ofício, ali está, no alto da capela das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, o único relógio de igreja que passa a funcionar na região.

A velha máquina foi adquirida em 1899, na cidade de Nápoles, na Itália. Foi o vigário da Comarca de Quixadá, Lúcio Ferreira, quem trouxe a peça da Europa, inaugurada no ano seguinte, aos 17 de junho. Até meados dos anos 80, as bucólicas badaladas eram ouvidas por todos os cantos da cidade. A iniciativa da restauração do relógio secular partiu do historiador João Eudes Costa e da coordenadora do Museu Histórico de Quixadá, Maria Prima Freire, membros da Afaq.

Eles também se dedicam a valorização do relicário municipal que recebe o nome do fotógrafo, pintor e escultor Jacinto de Sousa. Ali estão a mostra mais de 150 peças religiosas, mobiliárias, ferramentas, vestuários, fotografias e documentos de valor inestimável. O interessante acervo conta um pouco da história da imortal Rachel de Queiroz, do mais famoso repentista do País, Cego Aderaldo, e até um dos primeiros projetores cinematográficos a funcionarem no Ceará.

E como a história sobrevive do que um dia foi presente, o museu, o clube, a cidade, abrem suas portas aos visitantes, expondo velhos e inesquecíveis hábitos familiares.
Postado por Fred Guilhon Marcadores:

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