segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O que faz um grande ator? (Arnaldo Jabor)

É o berro, é o gesto, é a fama? Não. Através do grande ator nós vemos a nós mesmos, não como um espelho, mas como uma revelação.

Vemos no grande ator o que não vemos de nós, até o que escondemos de nos mesmos. Paulo Autran era o ator "de teatro", aquela coisa milenar, grega, de Édipo ao Avarento.

Ele não era uma imagem na tela ou na telinha, apesar de ter feito bem as duas coisas. No teatro, ele não entrava nas personagens...as personagens entravam nele. E ali encontravam abrigo de uma alma que as enriquecia...Rei Lear era Paulo Autran, Coriolano era Paulo, Tartuffo foi Paulo... Willi Loman, no Caixeiro Viajante, o Avarento...

Paulo Autran era de realidade, não de ficção. Agora caiu o pano. E como na última frase de Hamlet: “o resto é silêncio”.

No entanto, se os atores de hoje, quando pisarem no palco, prestarem atenção, vão ouvir no silêncio do teatro, a voz de Paulo Autran, soprando-lhes a fala.

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segunda-feira, 26 de novembro de 2007 às 8:35:00 AM |  
É o berro, é o gesto, é a fama? Não. Através do grande ator nós vemos a nós mesmos, não como um espelho, mas como uma revelação.

Vemos no grande ator o que não vemos de nós, até o que escondemos de nos mesmos. Paulo Autran era o ator "de teatro", aquela coisa milenar, grega, de Édipo ao Avarento.

Ele não era uma imagem na tela ou na telinha, apesar de ter feito bem as duas coisas. No teatro, ele não entrava nas personagens...as personagens entravam nele. E ali encontravam abrigo de uma alma que as enriquecia...Rei Lear era Paulo Autran, Coriolano era Paulo, Tartuffo foi Paulo... Willi Loman, no Caixeiro Viajante, o Avarento...

Paulo Autran era de realidade, não de ficção. Agora caiu o pano. E como na última frase de Hamlet: “o resto é silêncio”.

No entanto, se os atores de hoje, quando pisarem no palco, prestarem atenção, vão ouvir no silêncio do teatro, a voz de Paulo Autran, soprando-lhes a fala.
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