quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Aos seis meses de idade, bebê já sabe avaliar quem é boa gente


Eles podem não saber andar nem falar, mas já sabem reconhecer quem é gente boa. Bebês de até seis meses de idade já são capazes de separar pessoas que ajudam os outros daquelas que atrapalham, de acordo com um estudo americano. E, como esperado, elas preferem ficar mais perto das pessoas que consideram mais boazinhas.

Se fosse uma mãe ou um pai dizendo isso, você provavelmente não levaria a sério, mas é verdade: os pequenos têm muito mais traquejo social do que a maioria das pessoas imagina. E a pesquisadora Kiley Hamlin, da Universidade Yale, nos Estados Unidos, comprova - usando apenas um teatro de bonecos.

A cientista verificou que mesmo crianças muito pequenas, entre seis e dez meses de idade, já conseguem julgar a bondade alheia, mesmo em situações que não tem nada a ver com elas.

Depois da apresentação dos bonecos, as crianças mostraram muito mais carinho pelos personagens “bonzinhos” do que pelos "malvados", ou mesmo do que pelos que mantiveram a neutralidade. A descoberta indica que nossa capacidade de avaliar os outros está “embutida” na nossa cabeça, por ser essencial para a sobrevivência.

“A habilidade de discernir aqueles que podem fazer mal a você daqueles que podem ajudá-lo é essencial para existir em sociedade”, afirmou Hamlin ao G1. “Nossos resultados mostram essa capacidade em crianças muito jovens para terem sido ensinadas”, explica.

O experimento

Hamlin preparou um teatro de bonecos de premissa bastante simples. Um boneco se esforçava para tentar escalar uma montanha. Outro boneco o ajudava, o empurrando para cima. Um terceiro atrapalhava, o jogando para baixo.

Após a apresentação, “bonzinho” e “malvado” foram apresentados à platéia. Quase todos os bebês preferiram brincar com o boneco que ajudava o outro na peça. Curiosamente, nas vezes que o mesmo show foi apresentado com bonecos que não tinham olhos, o efeito foi bem mais fraco. Para Hamlin, isso significa que os bebês vêem os brinquedos como personagens.

Em um segundo teatro, o mesmo boneco aparecia fazendo amizade ou com o que ajudava, ou com o que atrapalhava. De acordo com a pesquisadora, os bebês mais velhos se mostraram surpresos, observando atentamente, quando o personagem parecia ficar amigo de quem o atrapalhou -- o que indica que eles são capazes de fazer conclusões complexas a respeito da interação social dos outros.

Não substime o bebê

Para Hamlin, seu estudo significa que não se pode minimizar a inteligência dos pequenos. “Bebês têm um sistema de avaliação bem avançado que não precisa de muita ajuda externa para se desenvolver”, diz ela. “Obviamente, bebês aprenderam bastante antes dos seis meses de idade, mas é muito improvável que alguém os tenha ensinado explicitamente qualquer coisa que pudesse ter ajudado a resolver essas tarefas”, afirma.

Agora, a pesquisadora quer verificar se bebês ainda mais novos são capazes de fazer a mesma coisa, para tentar descobrir quando desenvolvemos a capacidade de avaliar os outros.

Seus resultados foram publicados na revista "Nature" desta semana.

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Eles podem não saber andar nem falar, mas já sabem reconhecer quem é gente boa. Bebês de até seis meses de idade já são capazes de separar pessoas que ajudam os outros daquelas que atrapalham, de acordo com um estudo americano. E, como esperado, elas preferem ficar mais perto das pessoas que consideram mais boazinhas.

Se fosse uma mãe ou um pai dizendo isso, você provavelmente não levaria a sério, mas é verdade: os pequenos têm muito mais traquejo social do que a maioria das pessoas imagina. E a pesquisadora Kiley Hamlin, da Universidade Yale, nos Estados Unidos, comprova - usando apenas um teatro de bonecos.

A cientista verificou que mesmo crianças muito pequenas, entre seis e dez meses de idade, já conseguem julgar a bondade alheia, mesmo em situações que não tem nada a ver com elas.

Depois da apresentação dos bonecos, as crianças mostraram muito mais carinho pelos personagens “bonzinhos” do que pelos "malvados", ou mesmo do que pelos que mantiveram a neutralidade. A descoberta indica que nossa capacidade de avaliar os outros está “embutida” na nossa cabeça, por ser essencial para a sobrevivência.

“A habilidade de discernir aqueles que podem fazer mal a você daqueles que podem ajudá-lo é essencial para existir em sociedade”, afirmou Hamlin ao G1. “Nossos resultados mostram essa capacidade em crianças muito jovens para terem sido ensinadas”, explica.

O experimento

Hamlin preparou um teatro de bonecos de premissa bastante simples. Um boneco se esforçava para tentar escalar uma montanha. Outro boneco o ajudava, o empurrando para cima. Um terceiro atrapalhava, o jogando para baixo.

Após a apresentação, “bonzinho” e “malvado” foram apresentados à platéia. Quase todos os bebês preferiram brincar com o boneco que ajudava o outro na peça. Curiosamente, nas vezes que o mesmo show foi apresentado com bonecos que não tinham olhos, o efeito foi bem mais fraco. Para Hamlin, isso significa que os bebês vêem os brinquedos como personagens.

Em um segundo teatro, o mesmo boneco aparecia fazendo amizade ou com o que ajudava, ou com o que atrapalhava. De acordo com a pesquisadora, os bebês mais velhos se mostraram surpresos, observando atentamente, quando o personagem parecia ficar amigo de quem o atrapalhou -- o que indica que eles são capazes de fazer conclusões complexas a respeito da interação social dos outros.

Não substime o bebê

Para Hamlin, seu estudo significa que não se pode minimizar a inteligência dos pequenos. “Bebês têm um sistema de avaliação bem avançado que não precisa de muita ajuda externa para se desenvolver”, diz ela. “Obviamente, bebês aprenderam bastante antes dos seis meses de idade, mas é muito improvável que alguém os tenha ensinado explicitamente qualquer coisa que pudesse ter ajudado a resolver essas tarefas”, afirma.

Agora, a pesquisadora quer verificar se bebês ainda mais novos são capazes de fazer a mesma coisa, para tentar descobrir quando desenvolvemos a capacidade de avaliar os outros.

Seus resultados foram publicados na revista "Nature" desta semana.
Postado por Fred Guilhon Marcadores:

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